Soluções para diagnóstico rápido de Influenza, RSV e S.pneumoniae auxiliam no gerenciamento da crise emergencial da Covid-19

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Com milhares de casos confirmados em 24 países atingidos e o número de pessoas mortas ultrapassando a marca das mortes por SARS, na epidemia de 2002-2003 (dados atualizados em tempo real neste link), as infecções pelo coronavírus causador da doença Covid-19 passaram a ser um problema de risco elevado em escala global, como foi declarado pela Organização Mundial de Saúde, no dia 27 de janeiro. 

A semelhança entre os sintomas causados pela Covid-19 e os de outras doenças respiratórias, como pneumonia, bronquiolite e gripe, aliada à inexistência de um teste rápido que possa detectar precocemente as cepas desse novo coronavírus em circulação, somam fatores que dificultam o diagnóstico clínico e aumentam as taxas de transmissão. 

Os testes Point of Care (POCT) podem ser utilizados como ferramenta diagnóstica no manejo de pacientes com sintomas de infecção respiratória aguda na atenção primária, sendo possível agilizar o diagnóstico da presença de vírus e bactérias como influenza A e B, RSV, S.pneumoniae e Legionella. 

No caso de positividade para alguma dessas infecções, é preconizado o início do tratamento adequado de forma imediata. Já há relatos de comorbidade para essas infecções por Covid-19. Por tal motivo, nos países onde a presença da doença foi confirmada, devem também ser testadas para o vírus as pessoas que viajaram recentemente para a China ou que mantiveram contato com pessoas com suspeita da doença, independentemente do resultado positivo para outras infecções.

Deve-se enviar amostras do paciente aos laboratórios de referência dos grandes centros que receberam a sequência do RNA da doença Covid-19 para o seu diagnóstico molecular1,2,3.

A Abbott oferece soluções imunocromatográficas e tecnologia molecular POCT que detecta rapidamente eventuais doenças respiratórias. É importante ressaltar que até o momento, a Abbott não possui um kit diagnóstico específico para a detecção de Covid-19. São elas:

  • Influenza A&B: testes ID NOW molecular e imunocromatográfico
  • RSV: testes ID NOW molecular e imunocromatográfico 
  • Pneumonia: testes de antígenos urinários Binax S. pneumoniae e Binax Legionella

O Diretor do Departamento de Emergências em Saúde da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Ciro Ugarte, enfatizou que a vigilância epidemiológica para detecção precoce de casos, bem como o gerenciamento de pacientes com medidas adequadas de prevenção e controle de infecção para conter a transmissão de pessoa para pessoa, podem reduzir casos secundários e impedir a propagação da doença4

Dessa forma, na inviabilidade atual de detecção rápida e em massa do vírus por meio de um kit específico, os testes para o diagnóstico diferencial de influenza, RSV, S.pneumoniae e Legionella oferecidos pela Abbott se apresentam como soluções eficazes para emergências, consultórios, centros de terapia de doenças respiratórias, UTIs/CTIs, entre outros.

A médica infectologista da UNIFESP, Dra. Nancy Junqueira Bellei (CRM 60778-SP), em entrevista exclusiva à Abbott, ofereceu um panorama geral da atenção para o surto da Covid-19 no Brasil e as possibilidades atuais para a sua detecção  (entrevista concedida em 03/02/2020).

Dentro desse cenário epidêmico da nova cepa de coronavírus, qual o seu potencial de transmissão e a gravidade que isso representa para o Brasil?

O potencial de gravidade está em 2%, mas conforme os casos aumentam, poderemos ver se é isso mesmo. Aqui no país nesse momento ainda é baixo, vai depender da confirmação de algum caso nas próximas semanas e da transmissão local no país.

Como lidar com a questão da incubação e transmissibilidade? Há como se preparar para lidar com pessoas assintomáticas? 

Muito difícil lidar com essa questão nesse momento, assim como orientar as pessoas em casos assintomáticos. Isso é uma preocupação, a gente não sabe o potencial desse novo vírus, se as vítimas tinham uma carga viral muito alta ou não. Não sabemos ainda desde quando a pessoa assintomática começa a transmitir e até que momento ela transmite depois de apresentar sintomas. 

O período de transmissibilidade é algo que não se conhece e quanto mais tempo para a epidemia chegar no país melhor, pois há mais tempo para conhecer esse vírus e poder orientar as pessoas.

Mesmo que o risco de um surto no Brasil ainda seja considerado baixo, a WHO declarou elevado risco de transmissão em escala mundial. Dessa forma, qual a importância dos serviços de saúde no Brasil estarem preparados para uma possível demanda da doença no país?

Com essa preocupação mundial é muito importante a gente se preparar mesmo sem ter transmissão local, pois o risco de receber uma pessoa infectada é muito grande.

Quais são as principais medidas que a atenção primária deve realizar no diagnóstico clínico?

Os clínicos que atenderem um caso suspeito devem avaliar se a pessoa pertence a um grupo de risco, como idosos e portadores de doenças crônicas, por exemplo. Também é importante reconhecer em que estágio estão os sintomas, orientando os pacientes que um quadro leve pode se agravar após uma semana, como visto em alguns casos graves, que começaram com sintomas leves e pioraram em torno do oitavo ou nono dia. É preciso acompanhar, principalmente a falta de ar.

Os testes rápidos para as doenças respiratórias são um aliado nessa triagem? Qual a eficácia dessas ferramentas nesse atual momento da doença Covid-19?

Ter um teste rápido disponível é fundamental, pois isso permite que seja feito rapidamente um diagnóstico para outras doenças respiratórias. Muitos casos que estão sendo descartados são quadros somente de influenza. 

No Brasil, em pouco tempo, teremos a temporada de RSV em crianças, então, também os testes rápidos serão importantes para a triagem dessa população e também em adultos com esses vírus, que pode ocasionar um quadro de falta de ar preocupante, mas que não é o coronavírus. Claro que mesmo com esses diagnósticos é fundamental ter um resultado negativo confirmatório, mas isso já é um grande auxílio na condução desses casos. 

Qual a probabilidade de doenças respiratórias (flu, RSV, pneumonia) aparecerem como comorbidades em casos de Covid-19?

É possível sim, como no caso da contaminação seguida de morte que ocorreu nas Filipinas, o paciente estava infectado com influenza B e Covid-19. Os coronavírus às vezes coinfectam com outros vírus respiratórios, não vai ser a forma mais frequente, mas é possível haver a associação de outros vírus respiratórios.

Em caso de suspeita, como proceder após triagem com os testes rápidos e em quanto tempo são apresentados os resultados?

Mesmo que os testes rápidos acusem um diagnóstico de outros vírus respiratórios, no Brasil é preciso que seja realizado teste confirmatório pela Fiocruz, Instituto Adolfo Lutz ou no Evandro Chagas, cujos resultados podem demorar até uma semana, entre envio da amostra e análise.



Referências

  1. https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/20200114-interim-laboratory-guidance-version.pdf?sfvrsn=6967c39b_4&download=true
  2. https://www.who.int/publications-detail/laboratory-testing-for-2019-novel-coronavirus-in-suspected-human-cases-20200117
  3. https://www.who.int/publications-detail/clinical-management-of-severe-acute-respiratory-infection-when-novel-coronavirus-(ncov)-infection-is-suspected
  4. https://www.paho.org/hq/index.php?option=com_content&view=article&id=15694:paho-director-urges-readiness-to-detect-cases-of-new-coronavirus-in-the-americas&Itemid=1926&lang=pt
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